Festa das Velhas Guardas ganha nova dimensão e une escolas de todos os grupos do Rio na Cidade do Samba

Festa das Velhas Guardas


O samba carioca reuniu diferentes gerações e atravessou as fronteiras entre os grupos do Carnaval neste sábado, 26. Pela primeira vez, integrantes das Velhas Guardas de escolas de todas as divisões se encontraram na Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, para uma grande confraternização que celebrou aqueles que ajudaram a construir, e seguem mantendo viva, a história das agremiações.

A dimensão do encontro traduz também o tamanho que a festa ganhou. Em 2011 e 2012, a Cidade do Samba chegou a receber confraternizações voltadas às Velhas Guardas do Grupo Especial. Nos anos seguintes, o evento seguiu sua tradição em quadras pelo estado. Agora, retorna ao complexo de barracões em uma edição ampliada, reunindo, em um mesmo espaço, veteranos de agremiações de diferentes grupos do Carnaval carioca, do Grupo de Avaliação até o Especial.

A escolha do local tornou o reencontro ainda mais simbólico. Se os primeiros desfiles das escolas de samba transformaram a Praça Onze em território fundamental para a história do Carnaval, hoje é na Cidade do Samba que boa parte dessa festa começa a ganhar forma muito antes de chegar à Avenida. Ao reunir ali os guardiões dessa memória, passado, presente e futuro do samba se encontraram no mesmo endereço.

A celebração começou às 13h, com um grande almoço de confraternização, e teve shows de Leonardo Bessa e do grupo Puxadores do Samba. Pouco depois das 18h, um dos momentos mais emocionantes encerrou a programação: o desfile das bandeiras das agremiações diante dos veteranos que ajudaram a escrever a história representada por cada uma delas.

“Hoje é um dia de celebração. O presidente Gabriel David e toda a diretoria conseguiram reunir as Velhas Guardas de todo o estado do Rio em uma festa de uma dimensão enorme. Essas pessoas são gigantes, são guerreiras. E não poderia haver lugar mais simbólico para essa homenagem do que o próprio quilombo do samba, a Cidade do Samba”, afirmou Elmo José dos Santos, diretor de Carnaval da Liesa.

Apresentador da confraternização há 23 anos, Marcelo Pacífico acompanhou de perto essa transformação. Para ele, ver o encontro alcançar essa dimensão tem um significado único.

“É uma forma de valorizar os baluartes e veteranos do samba, preservar a memória das escolas e reverenciar pessoas que carregam décadas dessa história, algumas delas presentes desde a própria fundação de suas agremiações”, destacou.

Entre os veteranos que participaram da celebração estava Luiz Desenho, de 64 anos, sendo 48 anos de história na Mangueira e há cinco integra a Velha Guarda da escola. Para ele, a ampliação do encontro tornou a edição ainda mais especial.

“É a segunda vez que participo dessa festa e, para mim, esta está sendo ainda mais especial. É uma alegria enorme ver tantas Velhas Guardas reunidas, de tantas escolas diferentes, celebrando o samba, amizade e nossa história. Tenho 48 anos de Mangueira e sei o valor que tem um encontro como esse. É uma confraternização bonita, que aproxima as escolas e valoriza quem dedicou e continua dedicando a vida ao Carnaval”, afirmou.