Governo mira 13 apps de “namorados de IA” por riscos a menores

reze aplicativos de “companheiros de IA” entraram na mira do governo brasileiro por possíveis riscos a crianças e adolescentes. A análise do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) cita plataformas como Character.AI e Replika e aponta problemas relacionados à verificação de idade, conteúdo sexualizado, uso compulsivo e coleta de informações pessoais.

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O levantamento foi conduzido pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), que avaliou serviços disponíveis no mercado brasileiro. O material foi encaminhado à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para análise.

A lista reúne Character.AI, Replika, Nomi, Candy.ai, Kindroid, Chai, Paradot, Talkie, CrushOn.AI, Eva AI, Swipey, Anima e SpicyChat.AI.

Esses serviços são conhecidos como “AI Companions”. Eles usam chatbots capazes de manter conversas contínuas, lembrar informações compartilhadas pelo usuário e adaptar as respostas conforme o histórico das interações.

Em alguns casos, os sistemas simulam amizades, relacionamentos amorosos ou vínculos afetivos. É justamente essa característica que aparece entre os pontos de atenção levantados pelo governo.

Verificação de idade preocupa

Um dos principais problemas identificados está na forma como as plataformas verificam a idade dos usuários.

Segundo a análise, dez dos sistemas avaliados permitem a confirmação da idade por meio de autodeclaração, como informar a data de nascimento ou confirmar que o usuário é maior de idade.

Testes citados no levantamento indicam que esse mecanismo pode ser contornado. Em uma avaliação com 21 aplicativos, nenhum teria impedido a falsificação da data de nascimento. Em outro teste, 20 plataformas continuaram a conversa depois que o usuário informou ter 12 anos.

A questão ganhou importância com o ECA Digital, que estabelece novas regras para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A legislação prevê mecanismos de aferição de idade para serviços acessados por esse público.

Conteúdo sexualizado e dados pessoais
A nota técnica também aponta riscos relacionados à exposição de menores a conteúdo sexualizado ou inadequado para a idade.

Outro ponto envolve os dados obtidos durante as conversas. Como os companheiros de IA incentivam interações pessoais e prolongadas, os usuários podem compartilhar informações sobre sentimentos, relacionamentos e outros aspectos íntimos da vida.

O documento cita ainda a criação de perfis comportamentais e emocionais. Segundo a análise, essas informações poderiam ser utilizadas para personalizar ofertas, publicidade ou recursos pagos.

Apego à IA também entra na análise

A capacidade de criar uma sensação de vínculo afetivo é outro ponto investigado pela Sedigi.

A nota menciona riscos de apego intenso, uso compulsivo e substituição de relações humanas por interações com os chatbots. Entre os possíveis impactos associados estão privação de sono, queda no desempenho escolar, abandono de atividades e afastamento das relações presenciais.

O mercado de companheiros de IA também cresceu rapidamente. Dados citados pelo Ministério da Justiça indicam que o número de plataformas passou de 16, em 2022, para mais de 128 em julho de 2025. Somente no primeiro semestre daquele ano, os serviços registraram 60 milhões de downloads.

Os aplicativos serão bloqueados?
Por enquanto, não há determinação de bloqueio das 13 plataformas. A análise do Ministério da Justiça tem caráter preliminar e foi encaminhada à ANPD e à Senacon para avaliação de possíveis irregularidades.

A ANPD é responsável por fiscalizar o cumprimento das regras relacionadas à proteção de dados e ao ECA Digital, enquanto a Senacon pode analisar questões relacionadas à proteção do consumidor.

A identificação de possíveis riscos também não significa que as empresas tenham sido consideradas culpadas de violar a legislação. As plataformas terão direito ao contraditório e à ampla defesa.

Caso sejam identificadas irregularidades, os órgãos responsáveis poderão avaliar medidas e eventuais sanções de acordo com a legislação brasileira.