O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 329 milhões para o município do Rio de Janeiro desenvolver um projeto de eletrificação da sua frota de ônibus por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Os recursos são provenientes do Fundo Clima. Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e operado pelo BNDES, o fundo viabiliza soluções que contribuam com a transição para uma economia de baixo carbono.

A PPP está sendo estruturada na modalidade concessão administrativa, com duração de 16 anos. O projeto, apresentado nesta sexta-feira, 25, prevê a aquisição e operação de 175 ônibus elétricos e sua infraestrutura de recarga. Também está prevista a construção da garagem pública dos veículos.
Com os recursos obtidos no financiamento junto ao BNDES, o município do Rio de Janeiro irá apoiar aquisição dos ônibus no âmbito da PPP. De acordo com o projeto, a operação dos novos veículos deverá levar à geração de 535 empregos diretos, entre motoristas, fiscais e despachantes.
“O que está acontecendo é uma revolução na mobilidade urbana, a partir da eletrificação da frota. O BNDES é hoje o principal financiador de ônibus elétrico da América Latina. E cada cidade está buscando o seu caminho. O Rio optou por um modelo muito criativo. É a primeira que buscou o modelo de PPP”, disse a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa.

“Com a eletrificação, o Rio vai contribuir para que o Brasil cumpra sua meta do Acordo de Paris e para que a gente tenha menos catástrofes climáticas. Também significa que as pessoas vão se locomover com menos barulho no ônibus, com ar-condicionado, com carregamento USB. A gente está falando aqui também de geração de emprego. O BNDES não financia o ônibus importado. Exigimos que os ônibus sejam fabricados no país e os empregos gerados aqui”, acrescentou.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, explicou que a PPP integra o plano de descarbonização desenvolvido pelo município e a renovação da frota será progressivamente realizada com ônibus elétricos e ônibus movidos a biocombustível. “É menos ruído e é menos emissão de gases que prejudicam a respiração e aumentam a incidência de algumas doenças na cidade”, disse.
De acordo com o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, a aquisição dos 175 veículos elétricos representa um primeiro lote que deverá receber um investimento de R$ 509 milhões, somando os R$ 329 milhões financiados pelo BNDES, o aporte a ser realizado pela concessionária e a contrapartida do município. Ele destacou também que os ônibus serão de piso baixo, com acessibilidade, e com zero emissões de carbono, contando ainda com sensores e câmeras para monitorar desempenho. “Com o andamento da PPP, o município terá obrigação de pagar às contraprestações para a concessionária. Estamos falando de um projeto que dá início à eletrificação da frota da cidade”, acrescentou.
As linhas onde serão usados os ônibus elétricos serão definidas após consulta pública, que será lançada na próxima semana. A publicação do edital da PPP está prevista para o mês de novembro.
A estimativa do projeto é de redução de 13,3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) equivalente por ano, totalizando aproximadamente 199,4 mil toneladas de CO₂ equivalente ao longo dos 16 anos de operação. A iniciativa é considerada um projeto piloto e está alinhada ao plano municipal de alcançar 20% da frota de ônibus com veículos de emissão zero até 2030, equivalente a aproximadamente mil ônibus.
