Apenas 91 dias após as luzes se apagarem na final da temporada de 2025 em Abu Dhabi, a nova temporada da Fórmula 1 recomeçará na Austrália. É mais do que apenas uma nova temporada, é uma nova era, com novas unidades de potência e regulamentos aerodinâmicos. Isso significa que há muito o que discutir enquanto nos preparamos para começar 2026 em Melbourne.

Como está a hierarquia?
A primeira corrida da temporada sempre traz muita expectativa, já que é a primeira oportunidade para todos nós vermos o verdadeiro nível de desempenho de cada equipe. Durante os testes, ninguém quer mostrar todas as suas cartas, mesmo enquanto exploram o potencial dos novos carros.
O que as duas semanas no Bahrein – assim como o shakedown em Barcelona – sugeriram é que estamos entrando em uma nova era com um cenário competitivo na frente do grid. Mudanças no regulamento podem oferecer a oportunidade para uma equipe obter uma clara vantagem de desempenho sobre as demais, mas todas as quatro equipes – McLaren, Mercedes, Red Bull e Ferrari – têm se enfrentado de perto até agora neste ano.
Melbourne será apenas a primeira prova realmente testada, onde todas as equipes tentarão mostrar seu verdadeiro potencial. A disputa na frente pode ser tão acirrada que o cenário pode variar de pista para pista, mas finalmente veremos se alguém conseguiu se destacar com os novos carros. A Mercedes era a favorita de muitos, mas a Ferrari marcou o melhor tempo no Bahrein, e a Red Bull impressionou com seu motor.
Para os atuais campeões da McLaren, Lando Norris busca defender seu título, enquanto Oscar Piastri tenta conquistar o primeiro pódio para um piloto australiano desde que a corrida se tornou um evento do Campeonato Mundial, em 1985.
Novas equipes e pilotos
Embora as quatro principais equipes pareçam familiares, há algumas mudanças mais significativas – e novas adições – no pelotão intermediário.
Começando pela novidade, a Cadillac fará sua estreia neste fim de semana, com o grid expandindo para 11 equipes e 22 carros. A equipe americana aposta forte na experiência para enfrentar a difícil tarefa de se consolidar, com o retorno de Valtteri Bottas e Sergio Perez ao grid após ficarem de fora em 2025.
Outra nova equipe também estará na pista: a Audi, que assumiu o lugar da Sauber e desenvolveu sua própria unidade de potência. Os primeiros sinais foram impressionantes durante os testes, mas resta saber o quão competitiva ela será contra equipes como Haas, Williams e a Alpine, agora com motor Mercedes.
Do ponto de vista do piloto, Arvid Lindblad é o único estreante em 2026, mas chega com uma sólida reputação e em um momento em que todos os pilotos estão aprendendo um novo estilo de corrida. O jovem de 18 anos absorveu o máximo de informações possível durante janeiro e fevereiro, mas, a partir de agora, a maior parte de seu aprendizado acontecerá diante do mundo todo nos fins de semana de corrida.
A situação da Aston Martin
Os testes de pré-temporada mostraram que as equipes apresentaram um nível notável de confiabilidade, considerando a amplitude das mudanças deste ano, mas uma equipe em particular que estava com dificuldades nesse aspecto era a Aston Martin.
A parceria com a Honda pela primeira vez – e a consequente oficialização como equipe de fábrica – representou um período de mudanças significativas para a equipe de Lawrence Stroll. Nos últimos anos, a Aston Martin investiu pesado em suas instalações, com uma nova fábrica e um túnel de vento, além da contratação de novos funcionários.
A principal contratação foi Adrian Newey (que agora também ocupa o cargo de chefe de equipe, além de supervisionar a equipe técnica), mas a lenda do design só começou na Aston Martin no início de 2025 e alertou na pré-temporada que esse era um dos muitos motivos pelos quais a equipe estava correndo atrás do prejuízo com seu novo carro.
Em comparação com seus rivais, a Aston Martin e a Honda tiveram dificuldades com a quilometragem na pré-temporada, com a fabricante japonesa citando um problema relacionado à bateria como o motivo para o término do segundo teste. O trabalho para solucionar esses problemas o mais rápido possível tem sido contínuo, e a Honda já provou ser capaz de se recuperar e conquistar campeonatos no passado, mas este fim de semana dará a primeira indicação real do quanto ainda precisa evoluir.
