Altas temperaturas e chuvas intensas aumentam a proliferação do Aedes aegypti
Com a chegada da primavera e a proximidade do verão, os cuidados com a saúde ganham novos desafios. Além da hidratação, alimentação equilibrada e proteção solar, vale olhar para a caderneta de vacinação e verificar se todas as doses estão em dia. Para a temporada 2026/2027, a atenção é ainda maior diante da previsão de intensificação do El Niño: segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno está estabelecido e pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses, com probabilidade próxima de 100% de persistir até fevereiro de 2027, alterando padrões de temperatura e chuva.
“Quando pensamos na chegada das estações mais quentes, é comum lembrarmos de protetor solar, beber água e uma alimentação mais leve. Mas a prevenção também passa pela vacinação. As mudanças de temperatura e de condições climáticas podem favorecer diferentes cenários de circulação de doenças, por isso é importante avaliar a caderneta e verificar se as doses estão em dia”, explica o Dr. Fábio Argenta, diretor médico da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização.
A seguir, conheça as principais vacinas para se proteger nos dias mais quentes:
- Qdenga
A dengue é uma das doenças que merecem atenção nas próximas estações. O Ministério da Saúde emitiu uma nota técnica para alertar estados e municípios sobre o aumento de arboviroses, como dengue e chikungunya. Isto porque as previsões de fortes chuvas e do aumento das temperaturas reforçam a preocupação com a proliferação do mosquito Aedes aegypti. De acordo com as projeções do InfoDengue/Fiocruz, o país pode registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. A enfermidade pode causar febre alta, dores intensas no corpo e, nos casos mais graves, hemorragias e comprometimento de órgãos.
Para reduzir o risco de formas graves da doença, a vacina Qdenga, aplicada em duas doses com intervalo de três meses entre elas, soma-se às medidas de prevenção como o combate aos criadouros do mosquito. Atualmente, é indicada para faixas etárias de 4 a 60 anos de idade na rede privada, e a grupos específicos na rede pública, conforme recomendação das autoridades de saúde.
- Influenza
Outro ponto de atenção é a gripe. Embora a influenza possa circular durante todo o ano, a vacinação anual é uma das principais formas de prevenção, especialmente para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, considerando que o vírus passa por mutação, o que reforça essa atualização periódica.
De acordo com o novo Boletim InfoGripe, da Fiocruz, a maioria dos estados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste está em alerta para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com risco ou alto risco e tendência de crescimento. O Boletim alerta que a influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus são as causas na maioria dessas ocorrências de SRAG. “O atual cenário brasileiro destaca a importância da vacina que ajuda a reduzir os casos de agravamento da doença, as internações e os óbitos, é indicada para todas as idades e gestantes também”, conclui o médico.


