Céline Dion retorna com show de muitas emoções em Paris

“Em três palavras: estou bem”.

Foi assim que Céline Dion resumiu um dos momentos mais aguardados de sua carreira. A frase, destacada pela rádio francesa RTL, ganhou uma dimensão especial na noite de sábado, 12 de setembro, quando a cantora voltou a realizar um concerto completo depois de mais de seis anos.

Diante de cerca de 30 mil pessoas na Plenitude Arena, em Nanterre, na região de Paris, Céline não tentou esconder a emoção. A artista apareceu sozinha no palco e abriu o espetáculo com “On ne change pas”. Já nos primeiros minutos, precisou conter as lágrimas.

Era difícil separar a cantora da história que havia levado todos até ali.

Depois de anos de incerteza sobre sua saúde e sobre a possibilidade de voltar a realizar grandes apresentações, Céline estava novamente diante de uma arena lotada. E o público parecia compreender perfeitamente o significado daquele instante.

Depois da primeira música ela conversou com os fãs e transformou poucas palavras em uma declaração sobre sua própria volta. Disse que estava bem e que queria cantar para o público, cantar para si mesma e, sobretudo, “cantar a vida”.

Mais do que uma frase de efeito, foi praticamente a definição da noite.

A emoção não começou quando as luzes da arena se apagaram.

Nos dias que antecederam o concerto, a presença de Céline Dion já havia movimentado Paris. Fãs se reuniram diante de seu hotel, acompanharam sua chegada aos ensaios e viajaram de diferentes lugares para participar do retorno.

Segundo a imprensa local, houve fãs esperando durante horas por alguns segundos diante da cantora e relatos de pessoas profundamente emocionadas simplesmente por vê-la novamente.

O Le Monde também encontrou lágrimas e ansiedade entre o público antes da estreia. Para muitos, assistir ao novo espetáculo representava uma oportunidade que durante os últimos anos chegou a parecer improvável: ver Céline Dion novamente em um palco.

Quando o espetáculo finalmente começou, Céline encontrou diante dela um público disposto não apenas a assistir, mas a participar daquele retorno.

O repertório também ajudou a transformar o reencontro em uma viagem pela história de Céline Dion. Durante cerca de duas horas e meia, sucessos em inglês e francês dividiram espaço com músicas menos frequentes nos shows e novidades apresentadas ao público.

Esta foi a sequência apresentada na estreia:

Primeira parte

On ne change pas
Destin
Because You Loved Me
Encore un soir
Les derniers seront les premiers
Tout l’or des hommes
The Power of Love

Segunda parte

My Heart Will Go On
Beauty and the Beast
The Chase
J’irai où tu iras
Ne bouge pas
Dans un autre monde
Medley:
I Feel Love — cover de Donna Summer
I’m Alive
That’s the Way It Is
Sweet Dreams (Are Made of This) — cover de Eurythmics

Terceira parte

Dansons
Un garçon pas comme les autres
Courage

Quarta parte

Love Can Move Mountains
The Prayer
It’s All Coming Back to Me Now
Je chanterai
Ebben? Ne andrò lontana — ária da ópera La Wally, de Alfredo Catalani

Bis

All By Myself
Pour que tu m’aimes encore
S’il suffisait d’aimer

Era o fim do primeiro concerto, mas também a confirmação de algo que seus fãs esperaram durante anos: Céline Dion estava novamente em casa sobre um palco.

Em alguns momentos, milhares de vozes cantaram com ela.

Era justamente esse encontro entre memória e presente que dava outra dimensão às músicas. Canções ouvidas durante décadas agora carregavam um significado diferente: eram interpretadas por uma artista que passou anos tentando encontrar o caminho de volta ao palco.

A cobertura francesa encontrou diferentes maneiras de definir o espetáculo, mas uma palavra atravessou praticamente todas elas: emoção.

O Madame Figaro falou em uma apresentação de “intensa emoção”. O Le Parisien descreveu um retorno comovente. A RTL destacou uma Céline profundamente emocionada diante do público.

E o Le Monde ampliou ainda mais essa percepção ao observar como a chegada da cantora a Paris conseguiu reunir diferentes gerações e transformar sua volta em um acontecimento que ultrapassava os limites da música.

Talvez esteja justamente aí a dimensão desse retorno.

Durante anos, a pergunta era quando Céline Dion conseguiria voltar.

Na noite de sábado, Paris finalmente recebeu a resposta.

Ela voltou.

E, diante de milhares de pessoas, escolheu explicar o motivo da maneira mais simples possível: queria cantar a vida.

João Carlos
jornalista