O Walmart ficou famoso por promover sua “garantia de preços baixos”, destacando como a escala da rede ajudava os clientes a economizar. Agora, em um esforço para reduzir seus próprios custos, o Walmart está utilizando a impressão 3D na construção de suas lojas.
Nos últimos dois anos, prestadores de serviços do Walmart empregaram a construção com impressão 3D em algumas unidades nos EUA. Até o momento, as paredes de cinco ampliações de lojas existentes — localizadas no Tennessee, Missouri, Alabama e Arkansas — foram erguidas dessa maneira. Trata-se da maior implementação de arquitetura impressa em 3D no setor comercial do país. A escala da varejista está impulsionando o crescimento e a adoção dessa tecnologia, que promete construir edificações de forma mais rápida e econômica.

O uso da impressão 3D na construção civil tem se concentrado principalmente em estruturas residenciais, devido ao seu porte menor e ao estágio inicial de desenvolvimento da tecnologia. Expandir a impressão 3D para o setor comercial poderia ajudar a ampliar a escala da indústria. Paralelamente, a execução de estruturas maiores e com orçamentos mais elevados poderia demonstrar a utilidade do processo — e até mesmo ajudar a reduzir os custos.
Para realizar suas construções impressas em 3D, o Walmart firmou parceria com a Alquist, fabricante das impressoras robóticas 3D A1X, e com a FMGI, uma empreiteira que presta serviços há longa data à gigante do varejo sediada no Arkansas. (O Walmart não quis comentar esta matéria).
“É isso que me entusiasma”, diz Darin Ross, presidente e CEO da FMGI, sediada em Woodstock, na Geórgia. Ele fundou a empresa no porão de casa e, à medida que ela crescia e se tornava uma companhia de abrangência nacional, ele aguardava ansiosamente por mais inovação. “Há 30 anos, vejo a indústria da construção fazer as coisas sempre da mesma maneira”, afirma. “Como setor, estamos muito atrasados na adoção de novas tecnologias e de novas formas de realizar o trabalho”.
A FMGI está capacitada para operar as impressoras 3D da Alquist — que depositam camadas de um composto de concreto, de forma semelhante a pasta de dente sendo espremida de um tubo — e recentemente concordou em ampliar um acordo existente com o Walmart para a construção de edificações via impressão 3D. Isso abrange construções em escala real e mais de 30 projetos previstos até 2027.
A parceria teve início com uma obra-piloto na unidade do Walmart em Athens, Tennessee, em setembro de 2024. As impressoras da Alquist ergueram as paredes de uma ampliação da loja — com cerca de 740 metros quadrados (8.000 pés quadrados) de área e 6 metros (20 pés) de altura. O espaço adicional permitiu à loja acomodar melhor o aumento do fluxo de retirada de mercadorias e entregas. Na época, tratava-se da maior estrutura comercial impressa em 3D nos Estados Unidos.
Dos métodos tradicionais à impressão 3D
A FMGI possui uma longa trajetória de atuação no setor de varejo e grandes redes de lojas (*big-box*). A empresa já realizou reformas e novas construções para redes como Home Depot, Trader Joe’s, Aldi e Publix. Como empreiteira geral do Walmart, trabalhou em projetos variados, desde lojas de bairro até a construção de bases para drones voltadas a novos métodos de entrega.
Inicialmente, a FMGI havia fechado o contrato com o Walmart para uma construção convencional em alvenaria; no entanto, a varejista mudou de estratégia e informou à FMGI que desejava tentar realizar a ampliação utilizando a impressão 3D. Como afirma Ross: “nosso trabalho é fazer o que o cliente deseja”.

O processo envolveu uma curva de aprendizado acentuada. Foi preciso descobrir como operar a impressora robótica montada sobre trilhos, que deposita camadas de concreto especial — reforçado com fibras para evitar fissuras durante a cura — com cerca de uma polegada (2,5 cm) de espessura. Levou-se 40 dias para definir o processo de impressão das paredes de 20 pés (aproximadamente 6 metros) de altura da ampliação, período que incluiu o domínio do novo sistema. A FMGI também precisou reapresentar projetos à prefeitura para obter a aprovação do uso desse novo método. No entanto, todos os desafios serviram de aprendizado. A execução do projeto seguinte da FMGI para o Walmart com impressão 3D — uma obra em Huntsville, Alabama, concluída no final de fevereiro de 2025 — levou apenas uma semana. Isso representou uma economia de tempo significativa.
“Vi o robô imprimir as paredes e observei a velocidade e a precisão com que o trabalho era realizado”, diz Ross. “Foi aí que a ficha caiu.” A FMGI agora possui quatro dos sistemas robóticos da Alquist, que custam, em média, pouco menos de US$ 300 mil cada.
Economia de tempo e custos
A FMGI afirma que esses projetos reduzem o tempo de produção em um terço — permitindo que a varejista inaugure a loja e comece a vender muito mais rápido — e diminuem os custos de construção em 15%.
A técnica ainda enfrenta desafios. Assim como na construção convencional, as condições climáticas são um fator importante: a mistura de água e concreto que passa pelo braço robótico e pelo dispensador precisa ser mantida abaixo de 33 °C (91 °F) e acima do ponto de congelamento para evitar obstruções ou problemas de consistência.
No projeto de Athens, onde trabalharam com uma versão anterior da impressora, o calor era sufocante, chegando a 43°C (110°F). Ross recorda-se de mangueiras que transportavam a mistura de concreto até o bico de impressão estourarem devido à regulação inadequada da temperatura; mais tarde, os trabalhadores adicionaram gelo à máquina para resfriá-la e passaram a realizar as impressões durante a noite. Além disso, ventos fortes podem tornar a máquina instável, impedindo a deposição precisa das camadas do composto de concreto. No entanto, como argumenta Ross, as vantagens superam em muito os inconvenientes de ter uma dúzia de pedreiros em andaimes passando frio ou sofrendo com o calor excessivo.
A tecnologia avançada também ajuda a atrair mão de obra, afirma Ross. É um diferencial valioso em um momento em que o setor de construção civil enfrenta uma escassez crônica de trabalhadores. Ross diz que convencer jovens a assumir uma vaga na FMGI fica muito mais fácil quando eles vislumbram um futuro envolvendo robótica, em vez de apenas trabalho manual.
Novas construções em breve
A próxima etapa de projetos da parceria FMGI/Alquist para o Walmart consistirá principalmente em postos de combustível independentes, bem como em ampliações para dar suporte aos serviços de retirada de compras online e entrega. Ross informa que a empresa também está em negociações finais para construir um supermercado do Walmart de aproximadamente 4.600 metros quadrados (50.000 pés quadrados) utilizando essa tecnologia; seria a maior edificação impressa em 3D do mundo.
Outras construtoras e varejistas estão acompanhando as iniciativas do Walmart e prontas para seguir o exemplo. “Como o Walmart é líder no setor varejista, muitas empresas adotarão a tecnologia depois que o Walmart comprovar sua viabilidade”, diz ele.

