Mercado de moda unissex avança e impulsiona mudanças no varejo calçadista brasileiro

Foto: Linha Moodu


O mercado global de moda unissex passa por uma mudança estrutural no comportamento de consumo. Avaliado em US$ 24,7 bilhões em 2025, o segmento deve alcançar os US$ 54,1 bilhões até 2034, impulsionado por uma taxa média de crescimento de 9,3% ao ano, segundo dados da Fortune Business Insights. Uma transformação liderada principalmente pelo consumo e comportamento das Gerações Z e Millennials, que foi percebida pela companhia brasileira Wishin.

Pesquisas europeias revelam que 33% dos consumidores na Suécia e 31% no Reino Unido já realizam compras fora de sua identidade de gênero tradicional. No Brasil, onde as mulheres ainda respondem por 69% do consumo de vestuário segundo o IEMI – Inteligência de Mercado, a participação masculina avança de forma constante na compra de calçados e acessórios. A busca por autonomia e a eliminação de barreiras físicas das seções tradicionais fazem do ambiente digital o principal motor dessa transição na América Latina, região projetada para movimentar US$ 600 milhões no segmento neutro de gênero.

Em termos geracionais, o levantamento do Global Fashion Council indica que 68% dos consumidores da Gen Z preferem marcas que oferecem opções que não são definidas por seu gênero. Cenário que tem levado empresas a reorganizar portfólios em torno da funcionalidade e da utilidade cotidiana, movimento que é favorecido ainda pelas compras online, com o e-commerce de moda brasileiro movimentando R$ 2,9 bilhões em 2025 – uma alta de 35%.

A busca por formatos inclusivos e numerações ampliadas também é apontada pelo Sebrae como um fator de diferenciação competitiva no varejo calçadista nacional. Acompanhando a movimentação de marcas internacionais, a Wishin integra essa transição no mercado brasileiro ao lançar a Moodu (todos em coreano). Composta por calçados em couro e camurça com numeração estendida e bolsas em tecido, a linha atende a uma demanda por tamanhos maiores de sapatos identificada pela empresa ao longo de sua trajetória.

“Para os consumidores, o critério central de escolha não é mais o gênero, e sim o conforto, a durabilidade e o design”, afirma Anna Shin, CEO e cofundadora da Wishin. “A decisão de desenvolver uma linha como a Moodu veio da observação direta da rotina do nosso público. Quando um produto é bem projetado e focado na ergonomia, ele simplesmente funciona para diferentes anatomias e necessidades”, completa.

A novidade reforça a estratégia de expansão da fabricante brasileira, que registra produção anual de 200 mil pares e conta com uma equipe de cerca de 100 colaboradores. “Percebemos que havia uma demanda reprimida de pessoas que buscavam nossos produtos, porém não encontravam o tamanho adequado. Expandir a grade foi uma resposta prática a essa necessidade, mantendo a proposta de um design atemporal e com durabilidade”, finaliza Anna.