Em 24 de fevereiro de 2016, exatamente dez anos antes de receber o AC/DC para o primeiro de seus três shows históricos, o estádio do Morumbi (hoje “Morumbis”) contou com outra lenda do rock que resiste à aposentadoria: os Rolling Stones. Tecer qualquer comparação é ingrata, visto que os Stones contam com vários músicos de apoio e algumas canções mais lentas, mas em comum, além da recusa em sair de cena, há a disposição para entregar uma grande performance mesmo diante das limitações.
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Se temos uma diferença vital entre os dois grupos citados, é: enquanto a existência dos Stones pareceu natural conforme o desenrolar das últimas duas décadas, ninguém se surpreenderia com o fim do AC/DC após a turnê Black Ice, que, em 2009, marcou a última visita ao Brasil até então. Em síntese, a seguir, as principais dificuldades enfrentadas pelo grupo formado na Austrália:
- Em 2014, anunciou o afastamento de seu líder real, o guitarrista Malcolm Young, que faleceria três anos depois por complicações da demência;
- Em 2015, o baterista Phil Rudd se ausentaria das turnês por estar lidando com acusações judiciais relacionadas a drogas e outros crimes;
- Em 2016, o vocalista Brian Johnson abandonaria uma excursão devido a um quadro de perda auditiva após estourar seu tímpano em uma corrida de carros;
- Também em 2016, ao fim da turnê que acumularia duas baixas, Cliff Williams confirmaria que ele, individualmente, se aposentaria, por conta de problemas de saúde.
Em dado momento, praticamente só restou Angus com substitutos. Stevie Young, sobrinho dele e de Malcolm, ocupou a segunda guitarra; Chris Slade, membro em parte da década de 1990, assumiu as baquetas; Axl Rose, ícone do Guns N’ Roses, deu uma força para seus ídolos no microfone principal. O Young caçula conseguiu dar a volta por cima quando reuniu Johnson, Williams e Rudd para o álbum Power Up (2020), mas os dois citados seguiram fora das turnês.
Mas Angus não desiste. Recrutou Chris Chaney e Matt Laug, ambos ligados no passado à banda de Alanis Morissette e outros projetos, para baixo e bateria, respectivamente. A turnê de Power Up só começou mesmo em 2024 e é inevitável a sensação entre fãs de que, provavelmente, assistiremos ao AC/DC pela última vez.
O contexto de “volta olímpica” empalidece qualquer eventual crítica à performance, já desnecessária considerando os 78 anos de Brian, os 70 de Angus e a ausência de outros três integrantes essenciais. Mas mesmo os críticos mais rigorosos se surpreenderiam com o que foi mostrado na última terça-feira, 24, pela citada dupla de veteranos. Dentro de naturais limitações, Johnson e o mais jovem dos Young seguem imbatíveis.
Fonte Revista Rolling Stone
