El Niño vira “super” 4 meses antes do esperado

El Niño


O Oceano Pacífico atingiu um marco inédito sobre o El Niño, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que mostram que o fenômeno já alcançou o patamar de Super El Niño, quatro meses antes do observado em eventos históricos, aumentando as preocupações sobre a intensidade dos impactos climáticos nos próximos meses.

Segundo o Índice Oceânico Niño (ONI), utilizado internacionalmente para monitorar o fenômeno, a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,0°C, limite que caracteriza um El Niño de intensidade muito forte.

Caso as projeções se confirmem, este poderá ser um dos episódios mais intensos já registrados desde o início das medições modernas, com potencial para ampliar eventos extremos de chuva, tempestades, secas e ondas de calor em diferentes regiões do planeta.

O atual episódio chama atenção pelo momento em que atingiu a categoria de Super El Niño.

Nos grandes eventos registrados anteriormente, o patamar de +2°C só foi alcançado entre setembro e novembro. Desta vez, o índice atingiu esse nível ainda em julho, algo inédito desde o início da série histórica.

Entre os principais episódios registrados estão:

  1. 1982-1983: +2°C apenas em novembro;
  2. 1997-1998: classificação de Super El Niño em setembro;
  3. 2015-2016: intensidade muito forte alcançada em setembro;
  4. 2023-2024: categoria atingida apenas em novembro.

NOAA também utiliza novo indicador

Neste ano, a NOAA passou a divulgar também o chamado Índice Oceânico Niño Relativo (rONI), desenvolvido para reduzir a influência do aquecimento global na medição do fenômeno.

Enquanto o índice tradicional aponta +2°C, o novo indicador registra atualmente +1,3°C na mesma região do Pacífico.

A diferença ocorre porque o rONI compara o aquecimento do Pacífico Equatorial com o restante dos oceanos tropicais, buscando identificar apenas a parcela do aquecimento associada ao El Niño.

Mesmo utilizando esse método mais conservador, a NOAA estima 81% de probabilidade de o fenômeno atingir oficialmente a categoria de Super El Niño nos próximos meses.

Modelos climáticos projetam intensidade recorde

As projeções dos principais centros meteorológicos internacionais indicam que o aquecimento do Pacífico deve continuar aumentando ao longo do segundo semestre.

Modelos desenvolvidos por instituições como o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), Agência Meteorológica do Japão (JMA), Bureau de Meteorologia da Austrália (BOM), Met Office do Reino Unido e outros centros de pesquisa apontam um cenário de aquecimento excepcional.

Em algumas simulações, o pico do ONI pode variar entre +2,7°C e +5,3°C, valores que superariam todos os registros observados nas últimas décadas.

Brasil deve sentir os efeitos nos próximos meses
Especialistas avaliam que os impactos do El Niño tendem a se intensificar entre o fim do inverno e a primavera.

No Brasil, os principais efeitos esperados incluem:

  • aumento das chuvas e do risco de enchentes na Região Sul;
  • maior frequência de temporais com granizo, vendavais e descargas elétricas;
  • períodos mais secos e quentes em áreas do Norte e Nordeste;
  • elevação das temperaturas em diversas regiões do país.

Os meteorologistas ressaltam, porém, que cada episódio de El Niño possui características próprias e que ainda não é possível prever se haverá repetição de eventos extremos semelhantes aos registrados em anos anteriores.

Apesar disso, o comportamento antecipado do Pacífico reforça o alerta para um segundo semestre marcado por maior instabilidade climática e aumento do risco de fenômenos meteorológicos severos em diferentes partes do Brasil.

Fonte iG

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