Empreendedorismo é o caminho para a liberdade do indivíduo

Empreendedorismo

No mundo acelerado e altamente competitivo de hoje, a importância da saúde mental no ambiente de trabalho nunca foi tão evidente. Além disso, o mercado de trabalho transmite a sensação de que todos são substituíveis e com a evolução da inteligência artificial, por exemplo, essa sensação aumenta ainda mais.

Um estudo publicado em 2024 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que cerca de 60% dos postos de trabalho ao redor do mundo podem ser afetados pela inteligência artificial no futuro. A saída possível para esse cenário converge com o que a Psicanálise sempre enfatiza: olhar para a singularidade dentro de cada indivíduo, trazendo cada vez mais propósito para o trabalho.

Aprofundar-se em seus próprios talentos, habilidades e avançar em capacidades fazem o sujeito se destaque e ganhe seu lugar ao sol, porém, os recursos para isso, estão na saúde emocional, no raciocínio e na lógica que incluem o inconsciente.

Relação entre liberdade e trabalho

No livro “Café com Freud e Lacan: Liberdade no emprego, autonomia no trabalho e empreendedorismo”, existem algumas reflexões que são essenciais para se libertar da lógica da substituição, as quais passam pela liberdade, zona de conforto, ignorância e até mesmo pelo senso comum. As pessoas falam muito e pleiteiam por liberdade. Mas a questão é que, quando elas têm a liberdade de começar a pensar, por exemplo, no que gostariam de trabalhar e muitas vezes surge um branco.

A pessoa fica perdida, não sabe por onde começar, e logo que aparece uma nova oportunidade de emprego, a pessoa se inscreve na vaga, retornando para uma vida em que existe já um caminho pré-estabelecido, horas para cumprir, planos de trabalho. Entretanto, com o tempo, vão achando o trabalho novamente maçante e surge o questionamento: o que realmente o ser humano deseja?

Quando tem liberdade, espaço e tempo para criar vem a angústia, um vazio, a criatividade some. Isso denota que é preciso se voltar ao autoconhecimento para que saiba o que realmente deseja. Nesse cenário, o emprego público ou privado, tem algo pré-estabelecido, pelo menos um certo imaginário sobre isso, afinal, sempre podemos fazer diferente, colocar nossa impressão digital, mas em um primeiro momento, existe uma hierarquia e passos a serem seguidos.

Enquanto o empreendedorismo é nadar em mar aberto, as opções são amplas e não existe um caminho específico. Existem instituições que podem ajudar, conselheiros, mentores, mas, a decisão final é do sujeito. É o gosto da pessoa, a forma e o estilo dela.

De acordo com o Mapa das Empresas, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), até o 3º quadrimestre de 2023, cerca de 20 milhões de empresas estavam ativas no Brasil, sendo que 93,5% destas são micro ou pequenas empresas, mostrando uma necessidade do indivíduo de seguir um caminho autêntico no atual cenário do mercado.

Porém, antes que a pessoa escolha esse caminho, pode surgir um paradoxo: todo ser humano diz querer liberdade, entretanto, quando vê o mar aberto, o vazio, um espaço em branco, a angústia, o medo e, assim, acontece da pessoa pedir que alguém intervenha, decida ou coordene. Com o tempo, ela se sente novamente enredada na mão do outro e nas ideias de terceiros. Ao escolher o empreendedorismo, é preciso coragem, ousadia, enfrentar a zona de conforto e tomar decisões.

Zona de conforto e empreendedorismo: qual o caminho?

De acordo com uma pesquisa realizada pela Azulis em 2020, empresa especializada em soluções digitais para negócios, as principais motivações para o empreendedorismo no Brasil são: realizar um sonho (40%), ter uma renda maior (21%) e não querer trabalhar para outras pessoas (19%). Isso mostra uma busca por um desejo individual e também por independência, porém, para isso é preciso se desprender de algo para fazer mudanças.

Na sociedade atual, existe uma ilusão de “não estar ganhando e nem perdendo”. A pessoa fica sem investir, inovar, usar a criatividade, pensando que assim não está perdendo. Porém, perde noites de sono, tem enxaqueca, ansiedade, depressão, nesse caso, por continuar na mesma vida e sentir-se sufocado.

Para o aparelho psíquico, tudo tem um custo, Sigmund Freud denomina esse conceito de economia psíquica. É como um banco em que tudo precisa ser contabilizado. Diante disso, não tomar atitudes, não se mover, também é uma escolha e há um preço a pagar por ficar no mesmo lugar.

Essa pode ser tida como uma zona de conforto. Sobre isso, Freud explica que o emocional tem a tendência a ficar no mesmo, na inércia. Tudo o que o ser humano mais fala que gostaria é de mudança e tudo o que ele tem mais medo é da mudança.

Muitas vezes, o indivíduo só consegue se abrir para mudanças, quando algo muito ruim acontece, uma briga terrível, uma demissão, quando algo externo promove essa movimentação. O habitual e familiar, por pior que seja, é confortável, a pessoa conhece, sabe o que esperar e isso traz muitos danos.

O ser humano não sabe o que tem do outro lado. Não sabe tudo o que será necessário para passar para o outro lado, e então, fica no mesmo. Desta forma, é importante ressaltar que embora o gatilho externo da mudança exista, o ideal para a saúde mental é que esse gatilho seja interno, promovido pela autorreflexão do indivíduo.

Fernanda Fernandes da Cruz

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