Presidente do Crea-RJ defende plano de ação das engenharias em seminário sobre ‘cidades resilientes’

Principal alvo da campanha Construindo Cidades Resilientes, liderada pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos (UNDRR), as mudanças climáticas registradas ao redor do globo foram o tema do seminário “Cidades Resilientes: Gestão de Riscos e Sustentabilidade”, realizado nesta segunda-feira (24), na sede da Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Após agradecer o convite feito pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Riscos (CESGRi), da FGV, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), engenheiro Miguel Fernández, apresentou propostas para o enfrentamento dos eventos climáticos extremos.

O presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández

“Como os setores de engenharia devem agir? O principal ponto é termos um plano de ação com equipes treinadas, da ponta até na recuperação emergencial necessária. Não podemos nos dar ao luxo de longos prazos para licitar, enquanto as famílias estão em condições difíceis. O Crea-RJ vem avançando num convênio com o Instituto Brasileiro de Avaliações de Perícia de Engenharia (Ibape) para obter laudos sobre as construções afetadas, no menor tempo possível. É preciso haver um componente profissional treinado para reagir com a velocidade necessária. Precisamos de projetos de engenharia dentro de uma política pública de estado, que estejam em plataformas on-line colaborativas, que tornem esses projetos perenes”, defendeu Miguel Fernández, ressaltando que os governos precisam também alertar os órgãos de controle para “se acabar com lógica da contratação de serviços pelo menor preço, mas, sim, pelo melhor preço para mantermos o mercado de engenharia nacional e regional do Estado do Rio de Janeiro”.

Participante da mesa intitulada “Os limites e possibilidades do nosso estado no planejamento para a resiliência”, ao lado do pesquisador Sérgio Ruy Barbosa, ex-secretário de Planejamento do Estado do Rio, Miguel falou sobre os desafios dos eventos climáticos para o setor das engenharias. Ele também colocou o sistema Crea-RJ à disposição do Centro de Operações Rio para colaborar com a construção de estratégias a fim de propor soluções rápidas e eficientes para lidar com os eventos climáticos extremos.

Especialista em engenharia urbana, Miguel Fernández, ressaltou que, para tornar as cidades resilientes, “as tomadas de decisão precisam ser de estado”.

“A gente vê chuvas ou falta de chuvas, que impacta seriamente a disponibilidade hídrica, como aconteceu em São Paulo em 2015; há várias crises, sanitárias, como foi a Covid, crises sociais e de segurança pública, que a gente vive quase que constantemente aqui no Rio. A questão transcende as chuvas e deslizamentos de terra”, observou Miguel, elogiando a atitude heroica de bombeiros, policiais e integrantes da Defesa Civil na atuação emergencial.

A abertura do evento foi feita pela coordenadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Riscos (CESGRi) da Fundação Getúlio Vargas, Carmem Migueles. O seminário foi promovido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Riscos da FGV-EBAPE e pelo FGV In Company, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Segurança Pública do estado, e buscou apresentar soluções para aumentar a resiliência e segurança das cidades do Estado do Rio de Janeiro.

O primeiro a palestrar foi o coronel bombeiro Márcio Romano, subsecretário estadual de Defesa Civil, representando o comandante-geral da corporação, Leandro Monteiro. Romano lembrou que desde 2017 o Estado do Rio participa do programa MCR 30 (Making Cities Resilient), da ONU, que tem uma ferramenta para monitoramento da participação de cada município integrado ao programa.

Do total de 94 municípios do Estado do Rio, 73 estão participando do programa. Os 21 municípios restantes precisam ser integrados à campanha, observou o coronel Romano, mas isso só ocorrerá se cada prefeito se conscientizar da importância deste movimento em defesa das cidades.

O Centro de Operações Rio, representado pelo chefe-executivo Marcus Belchior, apresentou todas as iniciativas adotadas pela Prefeitura do Rio no sentido de preparar a capital fluminense para eventos climáticos extremos. O chefe-executivo do COR compartilhou experiências vividas na gestão pública municipal e falou sobre os desafios e os próximos passos do equipamento público.

“O grande diferencial do Centro de Operações foi conseguir integrar diversos órgãos das esferas estadual, municipal e federal num único lugar. Após construído, ainda em 2010, fomos aprendendo a gerir o COR. E chegamos ao momento atual: dados sistematizados e metas claras de ações de mitigação e adaptação climática. Nosso desafio agora é implantar a Inteligência Artificial em até dois anos”, destacou Belchior, comprovando com números como houve aumento de eventos climáticos por ano no país. A frequência passou de um evento a cada seis anos (entre 1931 e 1996) para um evento por ano (entre 2010 e 2024).

Também participaram do seminário autoridades como Claudia Mello (secretária estadual de Saúde), Maurílio Nunes (subsecretário estadual de Segurança Pública), Fernando Maia (vice-presidente do Grupo Energisa) e o ex-secretário de Planejamento do estado, Sérgio Ruy Barbosa. Pesquisador associado do CESGRi, Barbosa lembrou de pesquisa da Casa Fluminense, de que 22 cidades da Região Metropolitana do Rio têm 1 milhão e 100 mil residências em áreas de alagamento, o que equivale quase um terço das habitações da Baixada Fluminense. Para Barbosa, a boa notícia é que pesquisa da Quaest constatou que 64% da população associa os desastres ambientais às mudanças climáticas.

Informações
Assessor de Imprensa do Crea-RJ

Deixe um comentário

Close