Guns N’ Roses faz show cheio de hits e encerra a quarta noite do Rock in Rio 2022

Guns N’ Roses faz show cheio de hits e encerra a quarta noite do Rock in Rio 2022

9 de setembro de 2022 0 Por admin

Axl Rose não é o mesmo, mas compensa a dificuldade nos agudos com graves imponentes, solos longos de Slash e o repertório amado pelos fãs. Quem não esperava o milagre de ver o Guns de 1991 até teve motivo para sair satisfeito ao ver o do Rock in Rio 2022.

A única surpresa do show foi o chapelão e a camiseta com bandeiras da Grã-Bretanha que Axl usou ao cantar “Knockin’ on heaven’s door”, de Bob Dylan. O visual especial e a letra sobre “bater na porta do céu” indicam uma referência à morte da Rainha Elizabeth, mesmo que ele não tenha citado o nome dela.

Eles tocaram por duas horas e meia no show principal do Palco Mundo nesta quinta-feira (8).

A banda subiu ao palco com apenas 5 minutos de atraso, ótima marca considerando o fuso horário de Axl Rose.

Esse já é o quinto show do Guns no Rock in Rio. Exceto o de 1991, sempre que Axl sobe ao palco rola um choque coletivo de ver e ouvir como ele está hoje. Por isso o clima é de apatia na entrada, em “It’s So Easy”.

O vocalista de 60 anos parece resignado com a perda de agudos e tenta caprichar nos graves deste início, que também tem “Mr. Brownstone” e “Chinese Democracy”, ainda em clima morno.

Depois ele vai tentando soltar os agudos com resultados irregulares. Algumas músicas são tão queridas na plateia que são impossíveis de errar. “November Rain”, melhor momento do show, é uma delas. “Welcome to the Jungle” é outra – com o reforço de um solo fora do convencional de Slash.

Ele confia tanto no colega que às vezes o show parece uma apresentação de Slash com alguns solos de voz de Axl – se for contar o tempo de cada um não deve ser tão diferente.

Às vezes ele alcança as notas, mas a que custo? Em “Live and let die” e “Civil War”, por exemplo, o agudo vem com uma cara de dor física e um timbre sofrido, a famosa voz de pato.

Em “Civil War” a voz ainda vem anasalada e sem fôlego como nunca, e mesmo assim Axl se esforça, dança rodando com um pé só e consegue empolgar o público.

Axl Rose vestia uma camisa estampada com a foto de duas passistas de samba de costas, com adereços azuis e amarelos. Não era mais biazarra do que a do baixista Duff McKagan, com a frase “Só Deus e Jiu Jitsu salvam”.

O palco também tinha uma bandeira azul e amarela, mas no caso era um apoio à Ucrânia – a bandeira também apareceu no telão enquanto Slash fazia o solo de “Machine gun”, de Jimi Hendrix.

Exceto por esses detalhes, as novidades são as duas primeiras faixas do grupo desde 2008. “Absurd” e “Hard Skool” saíram no ano passado, mas sao sobras da época do disco “Chinese Democracy”. O público recebeu com frieza.

No começo do show, ele fala uma palavra que soa como “Brasília” logo antes de cumprimentar a plateia (“It’s good to see you”, ou “é bom ver vocês”). Não fica claro se ele quis dizer “Brazilians” (Brasileiros), se errou o nome do país como “Brasília”, ou achou que estava na cidade errada.

De qualquer forma, a pronúncia causa constrangimento na plateia, com pessoas corrigindo: “É Brasil”. No fim do show, ele falou o nome do Rio de Janeiro certinho. Aí tudo bem.

A Lully FM faz cobertura através do seu Instagram, com vídeos dos shows e curiosidades da Cidade do Rock.

Foto: Stephanie Rodrigues/g1