‘A pandemia deixou tudo pior’, diz vocalista do The Offspring, que toca hoje no Rock in Rio

‘A pandemia deixou tudo pior’, diz vocalista do The Offspring, que toca hoje no Rock in Rio

8 de setembro de 2022 0 Por admin

O ano era 2003, e o grupo The Offspring anunciou na imprensa que seu sétimo álbum, a ser lançado naquele ano iria se chamar “Chinese democracy” – o mesmo título que o cantor Axl Rose prometia, há alguns anos, ser o do futuro álbum da sua banda, os Guns’N’Roses. “Cochilou, perdeu. Axl copiou as minhas tranças de cabela, vou roubar o título do seu álbum”, provocou então o vocalista e guitarrista do Offspring, Dexter Holland. Esta quinta-feira, quase 20 anos depois, o grupo punk californiano compartilha com o Guns o palco Mundo do Rock in Rio.

— Espero que eles não lembrem disso! — diverte-se Dexter, em entrevista no Rio de Janeiro, ao lado do guitarrista Noodles, seu velho parceiro de Offspring. — Era uma piada de primeiro de abril e acho que eles entenderam. Isso são águas passadas!

O grupo vem apresentar no Brasil o show do álbum “Let the bad times roll”, lançado no ano passado depois de alguns adiamentos devido ao avanço da Covid-19 no mundo (que, inclusive, provocou o cancelamento de uma turnê que o Offspring faria com os colegas do Pennywise pelo Brasil em março de 2020).

— Foi frustrante não poder ter lançado o disco antes, mas a pandemia acabou nos dando tempo para dar mais uma olhada nele e melhorá-lo um pouquinho — conta Dexter, para quem “os tempos ruins” que inspiraram o álbum “ainda estão rolando”.

E Noodles concorda com o amigo:

— Vimos um monte de distúrbios políticos e sociais acontecendo ao longo do mundo – na América do Sul, em Hong Kong, na Rússia mesmo… – e certamente também em nosso país. Você tem essas forças anti-democráticas, os protestos democráticos e as pessoas tentando recuperar algum poder sobre suas vidas. A pandemia exacerbou todas essas questões e deixou tudo pior.

Dexter Holland acha que os líderes mundiais pioraram ainda mais o que já estava ruim.

— Parece que eles não querem resolver os problemas no mundo e, na verdade, ainda se alegram em ver eles se agravarem. É tipo: “Pandemia? Nós não nos importamos!”

Tempos punks, para eles, são propícios para compor canções punk.

— Quando as coisas ficam duras para todos é importante ouvir essas vozes que gritam mais alto. Temos que cuidar disso — diz Noodles, que se diz feliz em ver seus colegas de geração punk do Green Day também se apresentando no Rock in Rio (na sexta-feira, no Palco Mundo). — O Green Day ainda compõe grandes canções e as executa bem. E acho que se pode dizer o mesmo de nós! Mesmo que o punk rock parecesse novo em 1994, ele certamente não era para eles e nem para nós. Naquela época amávamos essa música há pelo menos uma década.

Recentemente, imagens do Offspring na edição de 1999 do festival Woodstock voltaram num documentário, mostrando a explosão de violência e destruição que pôs o evento nos noticiários do mundo.

— Estava muito quente, não havia maneira de fugir do calor e havia aquela sensação de que tudo podia azedar. E o documentário da Netflix escolheu mostrar uma cena meio palhaça nossa (em que Dexter espanca bonecos representando uma boy band). Era uma piada, algo que fazíamos antes de cantar uma canção chamada “Cool to hate” (“É legal odiar”). Era um negócio bobo, e foi no primeiro dia do festival (antes da violência explodir) — desculpa-se Dexter.

Para Noodles, no entanto, “ninguém no festival estava cuidando da plateia”:

— As coisas não funcionavam, a água estava custando muito caro, é sobre isso que deve cair a culpa (do desastre).

Por falar em festivais, o Offspring estreou no Rock in Rio em 2013, no palco Sunset, e voltou em 2017, já no Mundo.

— O Rock in Rio é um dos maiores festivais do mundo, e isso por si só é memorável. E a energia é insana, lembro que na primeira vez o Marky Ramone (baterista dos Ramones) tocou com a gente — recorda-se Noodles.

Desta vez, eles vêm com a baterista Josh Freeze, músico de estúdio que já excursionou com metade do rock americano, incluindo Guns’N’Roses e Nine Inch Nails.

— Conhecemos Josh há muitos anos, inclusive da primeira vez em que viemos ao Brasil (em 1997), a banda dele, The Vandals, abria os nossos shows. E calhou de ele ser um ótimo baterista! Ele vem tocando em boa parte dos nossos discos desde o começo dos anos 2000, foi algo muito natural — Dexter.

Josh Freeze substitui Pete Parada, baterista do Offspring que acabou saindo do grupo por recusar-se a receber as vacinas contra a Covid-19.

— Foi um saco, não foi divertido. Cada um foi para um lado e espero que tenha sido o melhor para todos — comenta Noodles.

Para Dexter, a coisa mais difícil agora para o Rock in Rio vai ser montar um repertório.

— Temos uma hora só para tocar e dá aquela vontade de tocar as coisas novas sem deixar de fora as antigas. Mas vai ter de tudo, os maiores hits, as músicas novas e também aqueles lados B de que os fãs mais roxos gostam — promete. — Mas é claro que alguma coisa sempre acaba ficando de fora.

Fonte Jornal O Globo