Casal de brasileiros são os mais jovens a visitar todos os países do mundo

Casal de brasileiros são os mais jovens a visitar todos os países do mundo

7 de setembro de 2022 0 Por admin

Nas palavras de Rafael Diedrich, ele e a esposa Lídia Diedrich se casaram muito cedo — ele com 21 e ela com 20 anos. Logo após o casamento eles perceberam que existiam algumas formas fáceis, e baratas, de viajar ao redor do mundo. Foi então que os dois decidiram embarcaram em mais uma aventura juntos. 

A meta começou moderadamente ousada: visitar 100 países até o final da vida. Mas os dois foram além e em dez anos se tornaram o casal mais jovem a visitar 215 países —193 deles reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), apenas 22 não. 

A volta ao mundo foi feita de uma vez, mas o processo começou aos poucos, lá em 2012. Em dois anos, eles visitaram seis países e deixaram a meta mais arrojada: 50 países antes dos trinta. Nesse período, os dois também começaram a registrar a façanha em um perfil do Instagram, que hoje já passa de um milhão de seguidores.

“As pessoas começaram a compartilhar e gostar da ideia. Muita gente veio falar ‘vocês vão conseguir’ ou ‘vão conseguir antes do esperado’, o que foi incentivando”, conta o neurocientista e teólogo, hoje com 31 anos.

Em uma viagem para a Europa, o casal chegou a visitar 20 países. Aos 26 anos, os dois já tinham atingido a meta dobrada: 100 países visitados. 

A iniciativa chamou a atenção de algumas empresas, que passaram a colaborar para que Rafael e Lídia batessem o recorde de casal mais jovem a visitar todos os países do mundo. O feito foi aplicado no Guinness World Records, no último dia 28 de agosto. A comprovação é feita mediante formulário preenchido por um local de cada país, carimbo e fotos. 

O casal voou mais de 900 mil quilômetros em 369 voos, visitou 863 cidades e investiu mais de US$ 70 mil. O casal tem uma filha, a pequena Lívia de quase 2 anos, que já visitou 16 países. 

Os jovens brasileiros também tiveram ajuda do Itamaraty para acessar países mais fechados. Também tiveram que estudar os países mais difíceis e pedidos de vistos complexos, como da Coreia do Norte.

Intoxicação e aeroporto bombardeado

Mas muito se engana quem pensa que as viagens foram marcadas apenas por paisagens de tirar o fôlego.

“Nós tivemos intoxicação alimentar na Tailândia e eu fui atacado por um canguru na Papua Nova Guiné”, lembra Rafael.

Mas esses foram os perrengues mais “fáceis”, se é que podemos chamar assim. Outras situações já foram mais complicadas, como quando o carro quebrou no meio do deserto do Senegal.

“Era um calor de 50 graus. Nós passamos quase 30 horas racionando água e comida até uns militares aparecerem pra nos ajudar”, detalha. 

Outro entrave foi no setor de imigração na Líbia. “Eles não queriam deixar a gente entrar, alegando que lá não é um país turístico e que não era seguro para um cristão”, conta. Um dia depois de o casal deixar o país, o aeroporto onde eles estavam foi bombardeado. 

Momentos inesquecíveis

Por outro lado, os momentos marcantes são inesquecíveis.

“A gente se deu muito bem com o povo de Samoa e o lugar é lindo. Nós tivemos boas experiências no Cazaquistão, com a cultura e com a culinária”, enumera Rafael. 

O casal também viveu um momento mágico no Brasil, no Vale do Jequitinhonha. “A gente viu um grande enxame de vaga-lumes acesos. Parecia que o céu tinha caído na terra”, lembra. 

O que falta para o casal Diedrich?

“A gente está esperando o Jeff Bezos [dono da Amazon, que recentemente lançou um programa espacial voltado para civis] diminuir o preço das passagens para o espaço”, brinca Rafael Diedrich.

Mas enquanto não é possível viajar para o espaço, a ideia é repetir os destinos preferidos do casal e continuar criando conteúdos sobre viagens. 

“Viajar te ajuda a aprender coisas como gestão financeira e de tempo, resiliência e, principalmente, a ver o extraordinário nas coisas cotidianas. As férias podem ser parte dessa grande viagem que é a vida”, acrescenta.

Com edição de Estela Marques do Terra