Verstappen ultrapassa Hamilton e vence o GP da Holanda

Verstappen ultrapassa Hamilton e vence o GP da Holanda

4 de setembro de 2022 0 Por admin

Para quem esperava uma das piores corridas da temporada 2022 da Fórmula 1, o GP da Holanda deste domingo (4), representou surpresa positiva. Mesmo numa pista com poucas possibilidades de ultrapassagens, como Zandvoort, houve uma tensão real na briga pela vitória por conta das decisões táticas da Mercedes. Lewis Hamilton ameaçou Max Verstappen, mas a sorte sorriu junto da competência habitual para o líder do Mundial. Desta forma, escapou para vencer em casa pelo segundo ano consecutivo e, assim como no sábado, levar o Mar Laranja ao delírio nas arquibancadas de Zandvoort.

Mas como a briga pela vitória se criou, visto que a Red Bull tinha um carro forte e Hamilton e a Mercedes saíam apenas no quarto lugar? Por conta da estratégia da Mercedes. Hamilton largou de pneus médios e esticou bastante o primeiro stint, parando cerca de 15 voltas depois do líder da corrida e colocando pneus duros contra médios de Max. A Red Bull ia para duas paradas, ao passo que a Mercedes apostava nos duros.

Era o suficiente, sim, para quem Hamilton fosse mais rápido na pista e encurtasse a vantagem para bem menos de um pit-stop. Verstappen teria obrigatoriamente de ultrapassar Hamilton para vencer a corrida. A não ser que a sorte sorrisse. E sorriu. Yuki Tsunoda parou na pista na volta 44 de 72 e avisou que tinha um pneu solto. A AlphaTauri negou e mandou religar o carro e ir aos boxes. Após mexer muito no bólido, soltou Tsunoda, que, assim que voltou para a pista, parou de novo. Safety-car virtual. Verstappen teve a chance de parar e voltar na frente e, por conta disso, a Mercedes parou os dois carros para tentar garantir o pódio duplo, porque também contava com George Russell e terceiro. Os dois pilotos das Flechas Prateadas apostaram num jogo de pneus médios.

Algumas voltas depois, Valtteri Bottas é quem teve problemas e parou a Alfa Romeo na pista. Agora, safety-car de vez. Hamilton e Russell resolveram ficar na pista, enquanto Verstappen parou novamente e pôs um jogo de macios. Caiu para o segundo lugar, porém, porque a Mercedes manteve Hamilton. Só que de pneus macios contra médios de Lewis não teve jeito: engoliu o rival na relargada e partiu para vencer. Hamilton sequer conseguiu ir ao pódio, rendido aos pneus macios de Russell e Charles Leclerc.

Ainda foi mais uma corrida em que a Ferrari aprontou das delas. No primeiro pit-stop de Carlos Sainz, pegou um dos pneus errados. O mecânico correu para pegar o pneu certo e deixou Sainz lá, esperando. Ainda soltou a pistola que desaparafusa os pneus e deixou jogada no pit-lane, fazendo com que Sergio Pérez passasse por cima. Na última parada de Sainz, largou o espanhol para sair em cima e quase bater em Fernando Alonso. Resultado: punição de 5s.

Assim, Verstappen, Russell e Leclerc foram os três primeiros, seguidos por Hamilton, Pérez, Alonso, Lando Norris, Sainz, Esteban Ocon e Lance Stroll.

A Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, entre os dias 9 e 11 de setembro, para encerrar a rodada tripla e a perna europeia de 2022 com o GP da Itália, em Monza.

Max Verstappen à frente do pelotão na largada em Zandvoort (Foto: Red Bull Content Pool)

Confira como foi o GP da Itália:

Se o restante do fim de semana sonegou a chuva que o começo da semana anunciou esperar para a Fórmula 1 em Zandvoort, a previsão do tempo indicava boas chances de chuva para durante a corrida, embora não se esperasse qualquer tempestade. De qualquer maneira, o sol que foi visto no sábado foi embora. Era um dia cheio de nuvens.

O pole-position era o piloto da casa, Max Verstappen, que também era o único do pelotão da frente que tinha um jogo de pneus novo para usar, um de compostos macios. Verstappen, Charles Leclerc e Carlos Sainz, três primeiros colocados, largavam de macios. Max escolheu partir já com o jogo zerado. Lewis Hamilton, quarto tinha pneus médios, e era seguido por Sergio Pérez e George Russell que, de macios, finalizavam o top-6.

Verstappen sabia da possibilidade de que a Ferrari atacaria logo na largada e se defendeu com segurança, escapando bem e evitando qualquer possibilidade de mergulho de Leclerc. Hamilton atacou Sainz, mas, no contorno da curva um, os dois se tocaram brevemente e mantiveram as posições de antes. Lando Norris passou Russell para assumir o sexto lugar, atrás de Pérez. Lance Stroll foi outro que saiu bem e foi de décimo a oitavo. Esteban Ocon e Mick Schumacher fecharam o top-10.

Na abertura da segunda volta, Kevin Magnussen escapou sozinho na curva dois e foi deslizando de lado pela brita até um toque de leve, com a lateral esquerda do carro da Haas, na barreira. Mas seguiu em movimento e voltou à pista. Em último, sim, mas avisou no rádio que o carro estava intacto.

Ocon havia conseguido entrar no top-10, então a segunda parte do pelotão era formada por Yuki Tsunoda, Pierre Gasly, Fernando Alonso, Guanyu Zhou, Alexander Albon, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, Valtteri Bottas, Nicholas Latifi e Magnussen após duas voltas.

Kevin Magnussen visitou a brita na segunda volta (Foto: Haas)

Apesar das muitas dificuldades para ultrapassar em Zandvoort, Russell rapidamente fez valer a força da Mercedes e tirou Norris da frente para reassumir o quinto lugar. Hamilton continuava colado em Sainz, pronto para acionar o DRS no momento em que fosse permitido.

Leclerc tinha velocidade e cravava a melhor volta da ainda jovem corrida na sexta volta, mas já estava 1s6 atrás de Verstappen. Alguma coisa distinta teria de acontecer para que a liderança da prova mudasse de mãos. A Red Bull aproveitava para avisar. “Talvez tenhamos de esperar que as duas Ferrari nos ataquem”, disse a Max.

Alonso tentava replicar o que Ocon conseguira na largada e partia para ganhar espaço. Com asa móvel acionada, fez manobra suave para tirar Gasly da frente e assumir a 12ª colocação. Russell ia ao rádio da Mercedes para dizer que a pista estava “muito verde” e ia emborrachar bastante.

Antes do esperado, ainda no fim da 11ª de 72 voltas, a Aston Martin parou Vettel para a primeira troca de pneus do dia. Tirou os pneus macios e colocou médios. Mais gente começou a adotar a mesma estratégia nas voltas seguintes. Logo, Alonso trocou os médios por duros — não estranha que tenha sido o primeiro a adotar os pneus de faixa branca, já que a Alpine é quem mais usa esse tipo de pneus nos treinos livres.

Mas não apenas os veteranos. Só nas duas voltas seguintes, pararam Pérez, Sainz, Tsunoda, Gasly, Zhou, Schumacher, Ricciardo, Magnussen e Latifi. Tirando os duros de Alonso, só quem não colocou pneus médios foi Zhou, de macios.

Detalhe, entretanto, para a parada de Pérez e Sainz. A Ferrari parou o terceiro colocado da corrida e não tinha quatro pneus prontos. Sim, isso mesmo, não tinha um jogo completo de pneus: o mecânico tirou do cobertor térmico para alimentar a roda traseira esquerda e, surpresa, era um pneu duro. Correu para trocar, atrasou uma enormidade e permitiu que Pérez saísse antes. Só que há mais coisa: o mecânico correu para trocar o pneu e deixou a pistola esticada na vaga dele no pit-lane. Pérez saiu do colchete da Red Bull e, sem ter como escapar, passou com o pneu novo em cima da pistola largada pelo chão.

“Meu Deus do céu”, impressionou-se Sainz. Já Pérez falou alguma obscenidade que foi impossível de entender pelo rádio blipado mostrado pela transmissão oficial da F1. A emissora inglesa Sky Sports entrou imediatamente em contato com Mattia Binotto, chefe da Ferrari, para saber o que tinha acontecido. A resposta: “uma bagunça”.

A janela chegou a Verstappen no fim da volta 20, duas antes de Leclerc. A situação era mais dramática para quem largada de pneus macios, que desgastavam bastante, ainda mais que o esperado. A Mercedes, que largara de médios com Hamilton e macios com Russell e permanecia na pista e tomava, ainda que momentaneamente as duas primeiras posições.

Pérez voltou dos boxes bastante rápido e passou a ser quem mais tirava tempo na pista. Zhou, por outro lado, quis ser veloz demais no pit-lane e recebeu punição de 5s. Bottas seguia atrás do companheiro novato, mas ao menos ganhava a posição de Vettel após uma rápida batida de pneus. Aliás, Vettel ganhou posições ao parar primeiro, mas a Aston Martin sofria horrores com os pneus médios.

Na volta 27, mesmo com um pit-stop já na conta, Verstappen encostava em Russell e atacava na reta dos boxes para tomar a liderança. O holandês estava 3s atrás de Hamilton e era mais rápido. Restava saber quando a Mercedes faria a necessária parada nos boxes com os dois pilotos, mas aparentava esticar o stint o bastante para, quem sabe, apostar nos pneus duros e fazer corrida de só uma parada.

Dito e feito. Hamilton parou no fim da volta 29 e colocou os pneus duros que rendiam bem para Alonso lá pelos lados na Alpine. Uma volta mais tarde, vez de Russell, último a parar na corrida. Ricciardo e Latifi, na realidade, já haviam abandonado a estratégia e trocado médios por duros após um stint de uma dúzia de voltas.

Russell ficou com a segunda colocação do GP da Holanda (Foto Mercedes)

Verstappen, com tudo reestabelecido, tinha 8s de frente para Leclerc e 15s7 para Pérez. A preocupação do momento, porém, era Hamilton, único entre os quatro usando pneus duros, que tinha 18s3. Lewis era imediatamente mais rápido que o piloto da casa. Estava claro que Verstappen teria de ultrapassar Hamilton para vencer a corrida, fosse parando mais cedo ou mais tarde para o segundo pit-stop.

A corrida se centrava ao redor do jogo tático. Mais gente, por enquanto membros do pelotão intermediário, desistia rapidamente dos pneus médios para colocar os duros num segundo pit-stop. Enquanto isso, a Ferrari dizia para Leclerc que acreditava “que não daria para fazer o plano C”.

Hamilton se aproximava rapidamente de Pérez. Na volta 36, foi para cima e não conseguiu passar. Na volta seguinte, porém, foi por fora na curva um e tirou o Red Bull da frente com muita moral. Vettel acabara de voltar dos boxes e encaixotou os dois, permitindo que Pérez se mantivesse perto, mas durou pouco. Hamilton era mais rápido e limpava campo. Metade da corrida ficara pelo caminho.

A Red Bull interpelou Verstappen sobre a condição dos pneus. “Não estão espetaculares”, respondeu. No começo da volta 41, Pérez parou para colocar os pneus duros. Leclerc pararia na 45, mas antes disso o momento mais estranho na corrida. Tsunoda parou o carro do lado de fora do traçado no primeiro setor da pista logo após parar nos boxes. “Os pneus não estão presos”, falou. Era certeza de safety-car, mas a AlphaTauri disse que não, nada estava errado. O japonês voltou a andar e parou nos boxes, já em último. Mas, apesar da equipe averiguar o carro, Tsunoda disse que tinha algo ruim e recebeu a ordem de parar. Parou na pista para o VSC ser acionado.

Norris e Alonso pararam imediatamente nos boxes para colocar pneus duros, enquanto Verstappen teve de esperar uma volta e fez isso no fim da 49. Um momento de muita sorte, porque não perdeu tanto tempo conforme o esperado e manteria a liderança de qualquer jeito. A Mercedes, no entanto, também resolveu parar para colocar pneus médios e tentar garantir o pódio duplo. A luta pela vitória ficava pelo caminho, aparentemente.

A próxima punição da prova era de Vettel, com 5s por desrespeitar bandeiras azuis quando voltou na frente da briga Hamilton e Pérez. Enquanto isso, Verstappen e Hamilton trocavam voltas melhores que o rival e mantinham a diferença basicamente igual, próximo a 12s, após 50 voltas.

Lewis Hamilton sonhou com a vitória, mas ficou fora do pódio (Foto: Mercedes)

Alonso tentava ultrapassar Norris pelo oitavo lugar, mas o inglês fechou a porta e obrigou o bicampeão a dar um passeio por fora.

Havia outro momento chave no caminho. Bottas teve problemas e perdeu potência na Alfa Romeo após 54 voltas, parando na reta e causando novo safety-car. Verstappen, agora, parou de imediato e colocou pneus macios para um stint derradeiro. Russell também entrou para pôr os pneus vermelhos, deixando Max exatamente atrás de Hamilton, que ficou na pista. Leclerc, Sainz, Pérez, Alonso, Norris, Ocon e Stroll formavam o top-10.

A relargada veio na volta de número 60. De pneus mais macios, Verstappen sequer negociou. Pegou o vácuo ainda no fim da última curva e passou Lewis ainda antes da reta dos boxes terminar. Novamente, agora com 13 voltas pela frente, o piloto da casa liderava. A torcida ia junto e verdadeiramente rugia com o herói local.

Hamilton não estava nada contente. Já tinha dito antes da relargada que achava muito difícil segurar a liderança, mas uma vez que a diferença de rendimento dos pneus macios para os médios se impôs, ficou revoltado. Logo depois de cair para Verstappen, foi ultrapassado por Russell — que ainda quase abalroou a traseira do companheiro — e Leclerc.

“Eu não consigo acreditar no que vocês fizeram, pessoal. Vocês ferraram minha corrida. Eu estou irritado pra caralho aqui”, afirmou, com palavrão e tudo. Hamilton tem sido conciliador com as dificuldades da Mercedes na temporada, mas agora foi duro. A sorte pode ter tirado a chance de vencer que aparecera antes do acidente de Tsunoda, mas foi um erro grave da Mercedes que custou o pódio.

Sem grandes novidades nas voltas finais, Verstappen venceu em casa e recebeu a companhia de Russell e Leclerc no pódio. O título está cada vez mais perto. Hamilton, Pérez, Alonso e Norris vieram na sequência, antes de um Sainz que foi punido por 5s por liberação insegura no pit-lane, onde quase bateu em Fernando. Ocon e Stroll fecharam a zona de pontos.

ALONSO FOI INOCENTE NA BATIDA, MAS PASSOU DOS LIMITES COM HAMILTON | F1 2022 Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

Grande Prêmio
Foto: Red Bull Content Pool/Grande Prêmio