Rolling Stones fazem incendiária turnê de despedida na Europa

Rolling Stones fazem incendiária turnê de despedida na Europa

24 de julho de 2022 0 Por admin

Como resumir 60 anos num espetáculo de duas horas? E, leia bem, caro leitor, em se tratando dos Rolling Stones, a palavra é espetáculo. Show fica para os mortais. Escolher as músicas que vão compor a turnê “Sixty”, em comemoração às seis décadas de carreira, deve ser a parte mais difícil, porque, para o resto, os vovôs do rock parecem não ter visto o tempo passar desde o primeiro concerto, em 12 de julho de 1962, no Marquee Club, em Londres. 

Percorrendo a Europa desde 1º de junho, eles acabam de passar pela França. Com as datas deste ano, totalizaram 54 shows na França, ao longo da carreira. 

A última terça-feira (19/7), dia em que se apresentaram em Lyon, foi um dia quente, em todos os sentidos. Temperaturas bateram recorde em toda a Europa e várias cidades francesas beiraram ou ultrapassaram os 40 graus. 

Eram 21h05 quando os Stones entraram no palco do estádio de futebol do Olympique Lyonnais. “É nosso 53º show na França e, sem dúvidas, o mais quente”, disse Mick Jagger. E não era para menos. Neste momento, fazia 36 graus à sombra – no verão, o sol se põe quase às 22h. A partir dali, ninguém mais se lembrou do calor.  

Logo antes de os músicos entrarem no palco, os telões mostraram imagens de Charlie Watts, o lendário baterista do grupo, falecido há quase um ano. “É particularmente emocionante. Ele nos faz tanta falta”, disse Jagger. 

A turnê europeia “Sixty” é também chamada “turnê do adeus” ou “turnê europeia de despedida”. Mick Jagger completa 79 anos na próxima terça-feira (26/7) e Keith Richards terá a mesma idade em dezembro. O mais novo é Ronnie Wood, com 75 recém-completados. 

Com 60 anos de estrada, a banda faz história, única no mundo, maior grupo de rock do planeta em atividade. Discografia e carreiras falam por si. Mick, Keith e Ronnie lotam estádios sem propaganda sequer. Pelo menos na França, o show não teve anúncios em cartaz, outdoor ou inserções em outros meios de comunicação. 

Na plateia, gente de todas as idades compartilhou um momento inesquecível. Havia desde crianças de 5 anos ou menos até octogenários. Gente que já viu os Rolling Stones diversas vezes e quem os via pela primeira vez – todos, com certeza, dispostos a ver ainda quantas vezes forem possíveis.  Mas, vendo-os no palco, é difícil acreditar e falar em última vez. Nem garotões têm tanta energia. As guitarras soam como um som de divindade, que entra nos ouvidos e hipnotiza. Foram duas horas de espetáculo, que contou com abertura da banda britânica Nothing But Thieves, num autêntico rock inglês. 

Teria sido um show brilhante para a banda de abertura, se 50 mil pessoas não estivessem ali para, de fato, ver os quase octogenários do rock. Os três Stones trocaram de roupas como trocaram de guitarras, praticamente a cada música. Mick Jagger e sua gaita fazem coro ao time de saxofonistas, percussão, piano, backing vocals.  

Ronnie e Keith andam de um lado para o outro, mas não tanto quanto Jagger. Tem que ter preparo físico para percorrer um palco que é condizente com a grandeza da banda. Difícil é acreditar ainda na idade de Mick Jagger. Se o rosto revela as rugas de um homem de 78 anos, a silhueta fina se recusa a acompanhar o tempo. 

Ele sacode e chacoalha o corpo, mexe os quadris com sua marca intacta de sensualidade e erotismo. Desce até o chão, como num passo de funk, com classe, sem ser vulgar. Ventiladores estrategicamente colocados no palco levantam a blusa preta que ele usa por baixo das camisas e revelam um abdome sarado. É a simpatia com o diabo em pessoa, com direito a maçã e serpente ao lado. 

A interação com o público foi uma constante, num francês perfeito, falando quase nada em inglês. Arrancou aplausos quando fez piada sobre a rivalidade entre os times de futebol do Olympique Lyonnais e do Sainte-Étienne, dizendo que os torcedores do primeiro cantam melhor que os do segundo. Contou sobre o que comeu na cidade que tem o título de capital da gastronomia do mundo. “Lyon estragou meu regime!”, brincou.  

Fonte Folha de Minas/Junia Oliveira