Colin Trevorrow: “Se alguém quiser fazer outro Jurassic World, amaria assistir”

Colin Trevorrow: “Se alguém quiser fazer outro Jurassic World, amaria assistir”

11 de junho de 2022 0 Por admin

Colin Trevorrow não acha que a próxima trilogia da saga Jurassic deveria se chamar Jurassic Universe. “Se colocássemos os dinossauros no espaço sideral, o público teria dificuldade em aceitar, principalmente, o porquê alguém faria isso”, brinca ele em entrevista. “Não sei se consigo fazer isso ficar crível”.

Diretor do primeiro Jurassic World e do novo Jurassic World: Domínio (e roteirista do longa que veio entre os dois, Reino Ameaçado), Trevorrow dá a entender que já teve dose suficiente dessa franquia em sua carreira, pelo menos por enquanto. “Eu definitivamente queria que Domínio fosse o final da história que estamos contando há 29 anos. Para mim, um bom final é quando chegamos em um lugar completamente diferente daquele onde começamos, quando tudo e todo mundo está completamente transformado. Este filme parece, para mim, um bom final para uma história em seis capítulos”, comenta.

Dito isso, se houver uma nova história para ser contada, especialmente com os personagens que criamos para este filme, e que eu amo… E se houver um cineasta por aí que confia na sua capacidade de contar essa história, eu amaria ver o resultado”, completa. Em entrevista anterior à Variety, por exemplo, ele deu a entender que Kayla Watts (DeWanda Wise), uma piloto de avião aventureira introduzida em Domínio, pode ser o futuro da franquia – mas Trevorrow acredita fortemente que esse futuro não é imediato.

Eu sinto que uma das razões pelas quais nossos filmes foram bem-sucedidos foi o cuidado que tomamos para não saturar o público”, diz ele. “Nós não temos uma galáxia ilimitada de personagens [como Star Wars], ou 50 anos de histórias em quadrinhos [como a Marvel] nas quais podemos nos inspirar. Cada uma das nossas histórias é focada, singular, e inventada do zero… Nós respeitamos isso o bastante para ‘só’ entregar um desses filmes para vocês a cada 2 ou 3 anos”.

Quando descreve o plano que colocou em prática durante a trilogia Jurassic World, Trevorrow recorre a uma metáfora, digamos… doce. “Se o primeiro filme fosse uma sobremesa, seria uma bomba de chocolate. É uma confecção pop pura e simples, e de propósito. Em Reino Ameaçado, nós colocamos um pouco de amargor nessa confecção. Já Domínio é uma boa torta de limão, realmente deliciosa, mas que seria um pouco azeda demais se o prato anterior não tivesse te preparado para isso”, explica.

A mistura de sabores fica mais evidente nas cenas que se passam fora do santuário de BioSyn, explorando o que aconteceria (às vezes, de forma brutal) se dinossauros de verdade estivessem soltos pelo nosso mundo. “A nossa regra era que os dinossauros no nosso filme só fariam coisas que animais de verdade, hoje em dia, também fariam no mundo. Em sua maior parte, nos mantivemos fiéis a isso. Talvez haja algumas diferenças de tamanho”, brinca Trevorrow.

Há um senso de que estamos aqui, no nosso mundo de verdade, não em uma grande fantasia. Nós não somos Godzilla ou Círculo de Fogo, temos outros filmes para isso em Hollywood. É uma história sobre animais de verdade, em um mundo de verdade, e como podemos coexistir com eles”, define ainda. Nesse contexto, a cena favorita de Trevorrow em Domínio é uma em que Claire (Bryce Dallas Howard) precisa escapar silenciosamente de um predador, entrando em um lago raso e sujo para fazer isso de forma mais eficiente.

Ali, eu pude descansar um pouco da ação bombástica que caracteriza a franquia, e fazer algo que me lembrasse de forma mais pura do que eu amo em Jurassic: o suspense, a lentidão, a forma como Spielberg segurava certas tomadas por muito tempo e nos prendia nelas, quase dolorosamente”, comenta o diretor. “Eu faço esses filmes para o maior público possível, de crianças bem novas a pessoas que têm a minha idade ou mais do que isso. Cada parte desse público precisa de algo diferente de uma experiência cinematográfica, mas essa cena é para a minha geração”.

Chegar ao final dessa jornada, nove anos depois de sua contratação como diretor do primeiro Jurassic World, emociona Trevorrow. “A última cena que filmamos, na verdade, foi uma cena ambientada no helicóptero, quando eles estão todos juntos. Bryce, Laura [Dern], Jeff [Goldblum], Sam [Neill], Chris [Pratt], Isabella [Sermon], todos os rostos na mesma tomada. Enquanto isso, DeWanda estava bem à minha direita, no banco do piloto do helicóptero, então todo mundo estava ali”, conta.

Foi muito tocante para mim, e eu não estava esperando por isso… Aqui estavam essas pessoas com quem eu havia passado a totalidade dos últimos quatro meses, no meio de uma pandemia, fazendo um filme do qual tínhamos muito orgulho”, complementa. “Eu espero que, quando as pessoas assistirem a Domínio, sintam o quanto nos importamos com essa história e esses personagens”.

Jurassic World: Domínio já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Fonte Omelete