Como está hoje Kim Phuc, a menina da icônica foto da Guerra do Vietnã?

Como está hoje Kim Phuc, a menina da icônica foto da Guerra do Vietnã?

10 de junho de 2022 0 Por admin

Cinquenta anos se passaram desde que o mundo viu, pela primeira vez, esta comovente imagem. Captada em 8 de junho de 1972, nela aparece uma menina de apenas 9 anos, com o rosto aterrorizado, após aviões Skyraider do exército sul-vietnamita lançarem napalm (substância que causa queimaduras graves) na cidade de Trang Bang.

A foto de Phan Thi Kim Phuc tornou-se um símbolo da Guerra do Vietnã e marcou o século XX. Hoje, Phan Thi Kim Phuc, embora marcada pela tragédia, sorri para a vida.

A fotografia, oficialmente intitulada de “O Terror da Guerra”, foi tirada pelo fotógrafo da Associated Press, Nick Ut. Representa o drama causado pela violência indiscriminada de uma guerra que resultou na morte de mais de um milhão de civis.

Com a fotografia, Nick Ut não só ganhou o Prêmio Pulitzer, como também ajudou crianças afetadas a superarem as feridas e cicatrizes deixadas por aquela guerra cruel.

Nick Ut ainda lembra como as crianças gritavam enquanto corriam: “Estou tão quente!”, “Estou queimando!”. Ele derramou água nos corpos delas para tentar aliviar suas queimaduras e depois levá-las a um hospital.

Em entrevista ao Toronto Star, Nick Ut (foto) disse que teve que ameaçar médicos do hospital para convencê-los a tratar Kim Phuc, já que alegavam não haver leitos. Ele disse que havia acabado de tirar a foto e que, se eles não os ajudassem, contaria à mídia o que havia acontecido.

Cinquenta anos depois do ocorrido, Kim e o fotógrafo ainda mantêm contato. Conforme publicado pelo Toronto Star, a vietnamita carinhosamente o chama de “Tio Ut”. Ele, por sua vez, garante que Kim é como sua filha.

“Considero o tio Ut meu herói… acho que devo muito a ele nesta vida”, disse a própria Kim ao mesmo meio de comunicação. “É parte da minha família”, acrescentou.

Após aquele ataque em sua cidade, Kim ficou hospitalizada durante quatorze meses, devido às queimaduras. Já adulta, ela disse em entrevista à CNN: “Quando eu era criança, não gostei nada da foto. Ficava tão envergonhada. Por que eu tinha uma foto assim? Eu não queria ver”.

Em 1992, depois de duas décadas do ocorrido, Kim recebeu asilo no Canadá. Lá ela formou sua própria família, longe das lembranças amargas que restaram de sua terra. À medida que amadurecia e se recuperava do trauma, começou a apreciar a famosa fotografia de Nick Ut.

Kim Phuc entendeu que ela poderia ser uma fonte de esperança para outras pessoas que estavam passando ou passaram por uma situação semelhante. Porque ela não apenas sobreviveu como também prosperou.

Kim narrou a tragédia vivida em sua infância no livro ‘Fire Road’. Ele também criou a Kim Foundation International, para ajudar crianças vítimas de guerra. Viajou pelo mundo para contar, em primeira pessoa, suas experiências, e falar sobre a importância do perdão.

Em 1997, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas. Em maio de 2022, Kim e Nick Ut encontraram-se com o Papa Francisco e apresentaram-lhe uma cópia da foto histórica.

“Com o tempo, percebi que essa foto era um presente poderoso para mim”, disse Kim à CNN. “Eu posso usá-la para trabalhar em nome da paz”.

Para Ut, o trabalho do fotógrafo de guerra é algo vital. Atualmente, ele está aposentado, mas não duvida da importância das reportagens gráficas de seus colegas de profissão. “Documentar as atrocidades, hoje, é tão importante quanto era no Vietnã”, disse ele à CNN.

Ut

“Agora, há muitas imagens do que está acontecendo no mundo. Elas têm o poder de contar a verdade”, complementa.

“Cinquenta anos depois do que aconteceu, posso dizer que não sou mais vítima de uma guerra”, alegra-se Kim. “Sou grata, sou uma sobrevivente e tenho a oportunidade de trabalhar pela paz”.

The Daily Digest