Mangueira vai contar histórias pretas do Carnaval pouco difundidas

Mangueira vai contar histórias pretas do Carnaval pouco difundidas

6 de junho de 2022 0 Por admin

A Estação Primeira de Mangueira divulgou, nesta segunda-feira (6), seu enredo para o Carnaval 2023 no Rio de Janeiro. O projeto tem como título; “As Áfricas que a Bahia canta”.

Segundo texto de justificativa da escolha do tema, a verde e rosa “abordará passagens da história preta do Carnaval pouco difundidas nas construções cronológicas da festa, com os cortejos pré e pós-abolição da escravatura, como os cucumbis e clubes negros, resgatando saberes e práticas ancestrais, as lutas pela inserção e reconhecimento da cultura afro-brasileira carnavalesca; os embates contra intolerância religiosa e racial dos Afoxés; as denúncias de desigualdade social pela arte dos blocos afros; a expansão da afro-baianidade pelos cantares do axé. Todos esses processos, conduzidos com protagonismo por mulheres pretas, mães, deusas, rainhas que usaram suas ‘corpas’ e vozes contando, louvando e cantando para e por seu povo”.

Sendo o estado da Bahia um mar de possibilidades de enredos para as escolas de samba e com íntima ligação com a negritude e raízes do povo preto no Brasil, a região é recorrente inspiração para os artistas do Carnaval.

A própria Mangueira já se inspirou na “baianidade”, seus expoentes e na sua rica gama de elementos culturais. Em 1966, cantou “Exaltação à Bahia”. Vinte anos depois, arrebatou a Sapucaí e os jurados com o tema “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”, embalado por um dos mais líricos sambas do acervo mangueirense.

No Carnaval de 2002, com “Brazil com ‘Z’ é pra cabra da peste, Brasil com ‘S’ é nação do Nordeste”, também passeou pela Bahia ao inspirar-se nos nove estados nordestinos. Ainda neste contexto, homenageou uma das maiores artistas baianas, a cantora Maria Bethânia, conquistando o título em 2016.

Os resultados no concurso e dos sambas que nasceram a partir desta temática na Mangueira, deixaram a maior torcida da folia carioca otimista com o que virá no próximo ano.

Enredos 2023

Quem deu a largada na temporada de lançamentos de enredo do Grupo Especial do Rio para 2023 foi a Unidos do Viradouro. A vermelha e branca de Niterói vai apresentar na Marquês de Sapucaí a vida e obra de Rosa Egipcíaca. O lançamento oficial aconteceu por meio das redes sociais da agremiação.

Rosa Egipcíaca, nasceu em Costa de Ajudá, em 1719, e morreu em Lisboa, em 12 de outubro de 1771. Ela também é conhecida como Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz e Rosa Courana.

Além da Viradouro, a Imperatriz Leopoldinense foi a outra agremiação que já confirmou os detalhes de seu enredo, assim batizado; “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”.

Para contar essa história, Leandro Vieira, que volta a assumir o cargo de carnavalesco da Rainha de Ramos, se debruça nas visões delirantes dos cordéis nordestinos que contam histórias fantásticas sobre a chegada de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, ao céu e ao inferno.

Entre as doze escolas do Especial do Rio, Portela, Império Serrano e Acadêmicos do Grande Rio já divulgaram suas apostas para a disputa que virá e a linha escolhida é bastante similar, e singela.

A azul e branca cantará seu centenário, numa auto-homenagem. O Império conta a vida e obra do cantor e compositor Arlindo Cruz, enquanto a atual campeã celebra e homenageia Zeca Pagodinho.

Carnaval 2022

Ao cantar três de seus maiores baluartes, Jamelão, Cartola e Delegado, a Mangueira ficou com o sétimo lugar do Grupo Especial carioca neste ano.

Fonte SRZD/Foto: Cleber Mendes/Agência O Dia