Julia Dalavia assume bissexualidade: ‘Não consigo me enquadrar’

Julia Dalavia assume bissexualidade: ‘Não consigo me enquadrar’

1 de julho de 2022 0 Por admin

De volta ao Pantanal para gravar mais uma leva de cenas da novela das 21h, Julia Dalavia precisou interromper esta entrevista, concedida há duas semanas, algumas vezes. Culpa da conexão de internet da região, bem diferente daquela da Zona Sul do Rio, onde a jovem, de 24 anos, mora sozinha. “A gente convive muito com os bichos por aqui. Estávamos na varanda, lendo, e um sapo enorme pulou no meu braço”, relembra atriz, que também precisou cobrir suas pintas com esparadrapo para não tê-las mordidas por lambaris durante banhos de rio, algo comum por ali. Recentemente, Julia virou manchete por ter tido o bumbum abocanhado por um filhote de jacaré. Quatro dentadas que marcam mais um personagem de destaque na carreira: a feminista e sedutora Guta do remake mais badalado da teledramaturgia.

Além de “Pantanal”, Julia coleciona outros trabalhos emblemáticos na TV: estreou como a última Helena de Manoel Carlos em sua fase mais jovem — depois interpretada por Bruna Marquezine e Júlia Lemmertz —, na novela “Em família” (2014). De lá para cá, brilhou em “Justiça” (2016) como a prostituta Mayara, papel que lhe rendeu sua primeira indicação a prêmios de atriz revelação; e fez o Brasil se emocionar na supersérie “Os dias eram assim” (2017) com Fernanda, vítima da epidemia de Aids no país, nos anos 1990.

Em comum entre esses dois últimos papéis e a Guta está a exploração da sensualidade. A atriz se diz à vontade em cenas provocativas, de sexo, ou até mesmo ao aparecer nua “se o take não for gratuito e ajudar a contar a história”. No dia a dia, a liberdade também dá o tom. Embora diga-se contida, Julia se identifica como bissexual e afirma ser uma mulher que toma as rédeas de sua própria sexualidade. “Tento tirar o foco disso, porque é algo muito natural. Se sou bi ou não, hétero ou não. Gosto de pessoas, com quem me identifico e conecto. Existe tanta gente legal no mundo, que não sei se consigo me enquadrar numa coisa ou em outra”, comenta.

Um senso de liberdade e independência “típico de uma tradicional aquariana” e também herdado da mãe, Márcia Dalavia, uma apoiadora incondicional. Esteticista, Dona Márcia diz que não perde um capítulo de “Pantanal” e afirma não se incomodar com as cenas calientes da filha. “Encaro com muita naturalidade. Preparei Julia para a vida, sempre procurei dar poder de decisão, torná-la uma mulher independente. E deu certo. Ela é segura”, destaca.

Mãe na ficção, Isabel Teixeira, que vem chamando atenção no papel de Maria Bruaca, também não economizou elogios à colega. “Somos de gerações diferentes, mas existe muita troca entre a gente. Eu amo essa menina. Fizemos cenas muito fortes juntas, e me dá até vontade de chorar. Lembro de uma cena em que o Tenório conta a história dele, depois a Maria Bruaca conta como eles se conheceram. Quando vi aquela cena no ar, fiquei encantada com a Julia, porque uma das coisas mais difíceis para o ator é saber escutar, e, naquele momento, ela estava muito entregue. Achei lindo. É uma grande atriz”.

Na trama, um dos principais dilemas enfrentados por Guta foi a descoberta da segunda família do pai (Tenório, interpretado por Murilo Benício). Fora das telas, Julia frisa que a verdade deve imperar. Na adolescência, recorda-se, amigas a revelaram uma pulada de cerca de um namorado. “Muito chato ficar sabendo disso por terceiros. Lidei da forma que sei, que é o diálogo, mas preferia que esse tipo de coisa fosse trazida e resolvida dentro da relação. Meu desejo é que a verdade sempre se revele”, pontua.

Incesto é outro tema sensível no qual Julia precisou mergulhar para trazer à tona a veracidade da trama em que se apaixona pelo suposto irmão. “Deve ser a pior coisa da vida sentir algo parecido. Não consigo sequer imaginar”, diz a atriz, que tem um irmão 4 anos mais novo. “A arte de contar histórias é não julgar as circunstâncias, mas deixá-las acontecer.” Sorte de quem só as assiste do sofá.

Fonte O Globo